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Conheça a história por trás do rótulo

Speri

Speri / Itália

O sobrenome familiar desta vinícola do Vêneto significa esperança em italiano, mas poderia muito bem se chamar “passione” pela obstinação de seus donos em valorizar a qualidade e as tradições vinícolas regionais

Comandada por Gianpaolo, Gianpietro, Luca, Chiara e Alberto, quinteto de irmãos que integra a quinta geração de uma família natural de Verona, no Vêneto, a azienda Speri é uma fiel representante de um dos vinhos mais prestigiados da Itália, o Amarone, além do raro Recioto e dos tradicionais e conhecidos Valpolicella, clássicos produzidos por ela há mais de um século e meio, a partir basicamente das uvas regionais Corvina, Rondinella e Molinara. O sobrenome da família, que em italiano significa esperança, bem que poderia se chamar Passione, com “pê” maiúsculo, tamanha determinação de seus herdeiros em manter as tradições vinícolas locais, numa contínua e incansável busca pela qualidade.

Seus rótulos recontam a história de um século de meio de paixão dos proprietários pelo terroir desta região situada no nordeste da “bela península”. Suas vinhas são cultivadas na zona histórica de Valpolicella, em um conjunto de suaves colinas ao norte de Verona, entre as cidades de Grezzana e Sant’Ambrogio di Valpolicella, em altitudes que variam ente 150 e 350 metros, com diferentes solos e microclimas. Nesse território, ao longo de sua história, a Speri expandiu seus domínios nas áreas de maior vocação de Valpolicella. Hoje, a vinícola conta com 50 hectares de vinhedos próprios que lhe garantem um desenvolvimento controlado de todas as fases de produção, a continuidade de estilo e a consequente qualidade das cepas ali cultivadas.

Para tanto, adota tanto o sistema de plantio em terraços, semelhante ao que se faz na região do Douro, em Portugal, denominado de marogne (parreiras plantadas em escadas protegidas por muros de pedra), quanto o “pergoletta inclinada aberta”, visando a favorecer a exposição dos cachos ao sol, sobretudo nas zonas montanhosas mais inclinadas, associando-os a práticas vinícolas tradicionais e ecológicas. A fim de manter os baixos rendimentos nos vinhedos e priorizar a qualidade das uvas, promove podas e o desbaste das vinhas, além de realizar a colheita manual e a dispensa de todo tipo de fertilizantes e agrotóxicos.

Como contraponto, sua adega está aparelhada com modernos equipamentos de vinificação – de tanques de aço inoxidável com diferentes capacidades, controle de temperatura e bombas de remontagem automática a prensas controladas eletronicamente para extrair o melhor de cada uva, além de equipamentos que asseguram a estabilidade microbiológica dos vinhos e o uso de barricas de carvalho francês de diferentes capacidades e graus de tostagem que ampliam a complexidade de seus rótulos.

Diferentemente do Valpolicella Classico e Classico Superiore Ripasso e Sant´Urbano D.O.C. que integram seu portfólio, o Amarone é produzido de forma bastante peculiar. A técnica, denominada de apassimento, consiste em deixar as melhores uvas em caixas ou esteiras por três a cinco meses, em locais bem ventilados, em vez de serem esmagadas e fermentadas após a colheita. Durante este período, os frutos se desidratam perdendo cerca de 35% de seu peso, tornando-se mais concentrados em aromas, sabores e açúcares (alguns, ainda, sofrem a ação do fungo Botrytis cinerea, a chamada “podridão nobre”, como as uvas do Sauternes francês). A fermentação alcoólica dura cerca de quarenta dias e é seguida da fermentação secundária, a malolática, acertando as possíveis arestas do vinho.

Único no mundo, o Amarone possui grande estrutura e concentração de aromas, podendo atingir facilmente 15% de álcool. Seu nome provém da palavra amaro (amargo em italiano), mas a sua origem se perde no tempo. A hipótese mais aceita é a de que nasceu de outro vinho da região atualmente muito pouco produzido, o Recioto della Valpolicella, ou apenas Recioto. O nome vem de uma corruptela da palavra italiana orecchio (orelha), pois ele é produzido somente com a parte mais madura dos cachos de uva, ou seja, sua extremidade, ou “lóbulo”. O Recioto é resultante do apassimento de uvas, com cerca de 15% de álcool e açúcar residual, e, portanto, é um vinho doce e muito saboroso. Desse modo, o Amarone teria nascido de um Recioto que fermentou completamente, processo que desenvolveu um estilo mais alcoólico e seco.

Encorpado, intenso e alcoólico, o Amarone exibe em suas melhores safras uma variedade de sabores que evoca geléia, doce de ameixa, uva passa e cristalizada e pétalas de rosa. Apreciados desde jovens ou depois de muitos anos em garrafa, adquirem com o tempo notas de especiarias (canela, noz moscada), além de couro, tabaco, trufa e outras notas de evolução. Além da força, peso e vigor, o Amarone oferece untuosidade e estrutura para acompanhar carnes de caça e queijos potentes como o Parmigiano-Regiano, de massa dura e maturada.

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