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Château Haut Castenet – Jean Luc Thunevin

Jean Luc Thunevin / França

Instalada numa propriedade de 12 hectares, o Château Haut Castenet é uma vinícola familiar, situada no coração da apelação Côtes de Bourg, em Bordeaux. Sua produção conta com a assessoria do enfant terrible Jean-Luc Thunevin, e desde o princípio, a família Audouin aliou vontade e investimento para produzir belos tintos.

Várias cerâmicas da época romana foram encontradas quando, em 1894, a família Audouin decidiu contruir o Château Haut Castenet. De fato, a vocação vitícola de Bourg vem desde o século II — bem antes, por exemplo, do cultivo em Médoc, na margem oposta do estuário do Gironde. Nessa época, os romanos plantaram a Vitis biturica, a ancestral da Cabernet Sauvignon. Atualmente, porém, boa parte dos tintos da região são elaborados com a Merlot.

Bourg é um porto vitícola importante desde a Idade Média, e situa-se na margem direita do estuário de Gironde, ao sul de Blaye, área de maior extensão. A apelação Côtes de Bourg é, às vezes, referida como a “Suíça do Gironde”, por causa dos vinhedos localizados nas escarpas naturais, com declives e platôs. É uma área pequena (cerca de 4 mil hectares), mas extensamente cultivada. Os vinhedos às margens do estuário são protegidos das geadas, graças à influência marítima. Embora tenha solos similares à Baye, de argila e calcário, há algum tempo Bourg vem produzindo tintos de qualidade superior e sempre consistente, forjados para serem um pouco mais longevos do que os de Blaye — em geral, consumidos entre quatro e seis anos. Os brancos ocupam uma parcela mínima do terroir (menos de cem hectares).

Esta é uma região que merece atenção, pois pode elaborar vinhos esplêndidos. Para o especialista inglês Oz Clarke, o uso recente nas vinícolas de tanques de inox e barricas novas de carvalho, associado à aposta em rendimentos menores nos vinhedos, têm originado vinhos mais elegantes.

O Château Haut Castenet pertence a essa gama de pequenas propriedades que aliam a vontade e investimento para produzir bons vinhos. Os vinhedos da propriedade situam-se na encosta argilo-calcária que domina o estuário de Gironde, beneficiando-se da exposição sul, num terreno privilegiado, de cor vermelha e com sedimentos minerais típicos, nos quais castas como a Merlot, a Cabernet Franc, a Cabernet Sauvignon e a Malbec encontram sua melhor expressão.

A elaboração dos vinhos conta com a assessoria de Jean-Luc Thunevin, consultor e distribuidor exclusivo do Chateau Haut Castenet e responsável por todo o processo, desde o cultivo até engarrafamento. Seu nome está estreitamente associado ao movimento dos “vinhos de garagem” em Bordeaux, e inspirou muitos produtores em Bordeaux e no mundo. Produzidos em ínfimas parcelas de pequenas vinícolas, ricamente extraídos, feitos de uvas bem maduras e totalmente fermentados em barricas novas de carvalho, os “vins de garage” surgiram no início dos anos 1990 a partir de um grupo de produtores de Saint-Émilion, contrários às rígidas classificações francesas. Entre os líderes “rebeldes” estava Jean-Luc Thunevin, considerado o “pai” desse estilo de vinho em Bordeaux. Dono do Château Valandraud e negociante em Bordeaux, em 1995 Thunevin teve seu vinho agraciado por Robert Parker com uma nota superior à dada pelo especialista ao mítico Pétrus. No ano seguinte, uma garrafa de Valandraud alcançaria estratosféricos €750 – duas vezes o valor do Cheval Blanc, um premier grand cru de Saint-Émilion. Ele também foi responsável, ao lado da mulher, Murielle Andraud, pelo primeiro vinho de garagem da região do Médoc, o Marojallia, elaborado a partir de 2 hectares de vinhedos.

Respeitando o ambiente, o proprietário atual do château, Michel Audouin, pratica uma viticultura que se baseia nas práticas orgânicas, fundamentada em métodos adaptados, como o uso da desfolha das folhas senescentes, com o intuito de melhorar a insolação sobre as uvas e, consequentemente, permitir uma melhor maturação dos bagos.

Audouin também investiu bastante na adega. A partir da seleção rigorosa dos bagos na vindima, a vinificação se faz em cubas de inox (que complementam os tanques de concreto, utilizados tradicionalmente na elaboração dos vinhos), sob controle de temperatura, com maceração de 15 a 20 dias.

Determinados vinhos, cuidadosamente escolhidos, são, então, deixados durante um ano em barricas de carvalho. Cada etapa é observada atentamente, para melhorar constantemente e colocar a tecnologia a serviço da tradição.

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