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António Saramago

António Saramago / Portugal

 É a partir da Península de Setúbal e do Alentejo, áreas vinícolas situadas no Sul de Portugal, que António Saramago, um dos mais respeitados e experientes enólogos portugueses, produz de forma inventiva e ousada os seus próprios vinhos a partir de castas regionais como a Castelão, Aragonês e Trincadeira, francesas (Cabernet Sauvignon e Grand Noir), além da “gaulesa de alma lusitana” Alicante Bouschet. Com atuação no mercado vitivinícola de seu país desde os anos 60, quando se formou pela Universidade de Bordeaux, Saramago capitaneou importantes projetos que o projetaram nacionalmente. Com o sucesso, fundou o laboratório de enologia Enolab e a tornou-se consultor de várias vinícolas de renome em Portugal.

Internacionalmente conhecida pelo Moscatel de Setúbal, um vinho doce fortificado produzido a partir das uvas Moscatel, a Península de Setúbal é uma região cortada pelos rios Tejo e Sado. Seu terroir apresenta solos de areia, calcário e rochas, grande exposição solar e suaves brisas vindas do Atlântico. A região é constituída por duas subzonas completamente distintas. A primeira, situada na base da Serra da Arrábida, é montanhosa e recortada por inúmeros vales e colinas. Ali, o solo é argilo-calcário. Já a segunda fica na parte mais baixa da região. Os vinhedos estão plantados em solos arenosos, originados por depósitos provenientes dos estuários dos rios Sado e Tejo. Tais condições favorecem o cultivo de várias castas, com predominância da Moscatel e da Castelão. Em especial, esta última, que amadurece nessa região em melhores condições do que em qualquer outra parte de Portugal.
A partir desta cepa emblemática, Saramago elabora os monocastas Castelão D.O.C. Palmela Reserva 2005 e Risco 2008, além do multicasta Risco Reserva 2007. Fermentados em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada, o primeiro estagia 14 meses em barricas de carvalho e americano e o segundo não passa por madeira.. O terceiro, por sua vez, assemblage de Alicante Bouschet, Castelão, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, amadurece durante seis meses em carvalho francês e americano.
É dos vinhedos do vizinho Alentejo, contudo, que Saramago produz o premiado Dúvida 2005, eleito em 2009 o melhor tinto português. E não por acaso. Em pouco mais de uma década, a partir dos anos 90, os rótulos dessa região passaram da posição de desconhecidos a líderes entre os vinhos portugueses de alta gama. Os terroirs alentejanos são fruto de incontáveis combinações de climas continentais, de influência marítima, de montanha, de planície, com solos que vão da argila ao xisto, passando por granito, calcário, giz e mármore. Além disso, a região é reconhecida hoje não só  pela qualidade e tipicidade mas por produzir vinhos que reúnem os diferentes estilos presentes em Portugal, tanto os da escola clássica portuguesa, como os modernos e instigantes vinhos produzidos tanto no Velho quanto no Novo Mundo.
No caso do tinto Dúvida 2005 (cortes de Aragonês, Trincadeira e Grand Noir), António Saramago conseguiu expressar todos esses estilos. Fermentado em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada,  ele é produzido utilizando-se a maceração a frio das cascas com o suco, nas fases pré e pós-fermentativa, para extração dos melhores aromas e sabores. A seguir, amadurece por 12 meses em barricas novas de carvalho francês e depois por mais 12 meses em barricas novas de carvalho americano. O resultado é um vinho de excepcional concentração de aromas (geléia de frutas, notas florais, caramelo tostado e especiarias) e sabores, com paladar elegante, persistente e grande potencial de guarda, estimado em 10 anos.
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